25 setembro 2008

NOSSA BUSCA TERMINA NA GRAÇA

A Parábola do Filho Pródigo proposta por Jesus (Lucas 15:11-32) nos conta a história de um Pai compassivo e seus dois Filhos. Um filho fica em casa e o outro parte. O que parte gasta tudo o que tem, se arrepende e volta; o que fica não usufrui do tudo que tem, não dimensiona o perdão e se revela tão enfermo quanto o primeiro.

Essa história é fantástica! Mesmo tendo dois mil anos de idade, simplesmente ainda narra com precisão a minha e a sua busca por felicidade e por auto realização.

A mitologia grega fala sobre a concepção do homem e traz a idéia do ser "Andrógino" – ao mesmo tempo homem e mulher. Conta o relato mitológico que esses seres, na tentativa de chegar ao Olimpo, morada dos deuses, foram severamente castigados por sua prepotência pelo maior dos imortais, Zeus, que cortou-lhes ao meio e encarregou Apolo da tarefa de "costurá-los" e virar-lhes as faces e olhos na direção da cicatriz, o umbigo. Agora, ao olhar para o umbigo o homem (agora separado, incompleto) haveria de contemplar sua finitude, e sua permanente condição de "falta", de carência. Na idéia grega de humanidade, isso tornaria o homem mais humilde.

Nós passamos a vida buscando preencher uma lacuna em nossa existência, uma sensação de que "falta algo". Tentamos preencher essa carência de várias formas, mas, como bem titulou Richard Foster um de seus livros, apoiamos nossa busca no tripé DINHEIRO, SEXO E PODER.

Como na parábola, o mais moço tipifica nosso ímpeto em buscar satisfação colocando Deus "fora do jogo". Ele diz: "Vou sair, dá-me o que é meu, pois vou gastar tudo na busca!" (vv. 12-14). Em nossas idas e vindas, altos e baixos, nos distanciamos do Pai e dedicamos todas as forças na árdua tarefa de alimentar nosso próprio ventre com seus desejos e paixões. É o ser da mitologia que de tanto olhar para o próprio umbigo, se esquece que existe o outro e o Outro.

O mais velho que fica, por achar que estar com o Pai significa "fazer coisas" e "cumprir regras", deixa de experimentar a liberdade e a plenitude que a casa do Pai lhe proporcionaria. Ele nos tipifica todas as vezes que buscamos a Deus tendo a satisfação pessoal como um fim. Não dá certo! Daí choramingamos: "Pai, estou muito contrariado porque há tanto tempo te sirvo, faço tudo direitinho e você nunca me deu nada!" (v. 29).

Deus então nos fala: "Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu." (v. 31). "Eu sei que você necessita de todas essas coisas..." (Mt. 6:32-33). "A minha graça te basta. Pois o meu poder se aperfeiçoa na tua IMPOTÊNCIA, no reconhecimento da tua incapacidade de se suprir por si só." (2 Co. 12:9)

A angústia da falta se encerra quando reconhecemos e aceitamos nossa impotência. Então, Deus, o Pai Amoroso, corre ao nosso encontro, nos acolhe e diz: "Vamos celebrar, pois este que estava perdido, foi achado; morto, e reviveu."

1 Comments:

Blogger Zeze Medeiros said...

Acredito que a graça tem um certo sabor misturado à sensação de alívio da volta/acolhida, nos fazendo importantes, mesmo depois de pisarmos na bola e arrebentar com a boca do balão. Eu já senti isso!
Pax et bonum

9:01 PM  

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