26 maio 2007

Amor libertador: Liberdade como Comunhão

Liberdade como dominação

Ao entender toda a história como uma permanente luta pelo poder, o conceito de “liberdade” se constitui como o estado daquele que “vence”. Os que perdem são submetidos, por tanto, “não livres”. Liberdade é algo a ser conquistado.

Historicamente, a palavra “livre” se origina em uma sociedade escravagista. Livre é apenas o senhor (diferente dos escravos, das mulheres e das crianças).

O que entende liberdade como domínio, sé conhece a si próprio e aquilo que lhe pertence. Afirma: “sou livre quando posso fazer ou deixar de fazer o que quiser”. É o domínio do homem sobre si mesmo. Ou ainda, quando se diz que o homem livre é aquele que não é determinado por forças internas, nem externas; quer dizer, cada qual há de ser o seu próprio rei e senhor, seu próprio escravocrata. Até a palavra “domínio”; de dominus, senhor; já explicita essa idéia de liberdade como dominação.

Os liberais burgueses da Europa Ocidental do pós-feudalismo, dizem que todas as pessoas têm os mesmos direitos de liberdade. Mas a liberdade de cada um terá seus limites na liberdade dos outros. Então, mesmo para o liberalismo burguês, liberdade quer dizer domínio; uma vez que todo homem encontra em outro homem um concorrente na luta pelo poder e pela posse. Todo homem é para o outro apenas uma barreira para a sua liberdade. Trata-se de uma sociedade de pessoas livres e iguais, porém solitárias. Por tanto, ao afirmar que todos têm direito à sua liberdade, perguntamo-nos: “Será esta a verdadeira liberdade?”

Liberdade como comunhão

A verdade da liberdade é o amor mútuo. Sou livre e sinto-me livre quando sou respeitado e reconhecido (amado) pelos outros, e quando da minha parte eu também respeito e reconheço (amo) os outros. A verdadeira liberdade acontece, assim, quando abro minha vida para os outros e a compartilho com eles, e quando eles abrem sua vida e compartilham-na comigo. Somente assim, então, o outro deixa de ser para mim a barreira, a ameaça e passa a ser o complemento.
Na mútua participação na vida (uns dos outros), os indivíduos se tornam livres para ir além dos limites de sua individualidade. É no amor que se experimenta a união dos indivíduos isolados. É nessa liberdade onde se experimenta a união das coisas que a dominação separou.

Enquanto a liberdade significar domínio, temos que separar tudo, temos que isolar, individualizar e distinguir para podermos dominar. Mas quando a liberdade se chama comunhão nós experimentamos a união de todas as coisas que estavam separadas. A liberdade como comunhão é, por tanto, um movimento contrário à corrente histórica das lutas pelo poder, onde só conseguíamos entender a liberdade como domínio.

O domínio não manifesta a verdade sobre a liberdade, mas sua mentira. Somente a liberdade como comunhão está em condições de curar as feridas que foram e que continuam sendo provocadas pela liberdade como domínio.

Texto sintetizado de:
MOLTMANN, Jürgen. O Espírito da vida: uma pneumatologia integral. Petrópilos, Ed. Vozes, 1999. pp. 117-119.

14 maio 2007

Clipes selecionados

Assisti, selecionaei, ripei, editei e publiquei.

Cenas de liderança, empreendedorismo, estratégia e força em dois dos meus filmes prediletos: Cruzada (2005) e Gladiador (2000), ambos de Ridley Scott.

Siga os links a baixo:
Cenas do "GLADIADOR" - http://www.youtube.com/watch?v=1I2RqAmhZ0Q


Cenas do "CRUZADA"- http://www.youtube.com/watch?v=LEN1x3YgKBA

06 maio 2007

Oração e Vontade de Deus

Na prática da oração, louvo a Deus pelo privilégio de exercer minha condição de filho e me achegar ao Pai com intimidade e segurança, com a garantia de que sou ouvido e, quando necessário se faz, conformado à sua boa, perfeita e agradável vontade.

No livro da rainha Ester, lemos a respeito de uma conspiração maligna contra o povo judeu. Ameaçados pelos sentimentos vaidosos do servo destacado do rei Assuero, Hamã, os judeus entraram em jejum e oração em favor da rainha e de como ela poderia ser usada na intercessão junto ao rei em favor de suas vidas.

Durante esses três dias, algo aconteceu. Era uma noite como outra qualquer no vasto Império Persa e o rei, deitado em sua cama exuberante, simplesmente não conseguiu dormir. O sono fugiu e um desejo inusitado brotou em seu coração: “Tragam-me o Livro dos Feitos Memoráveis”, ordenou. O feito a respeito do qual Assuero leu naquela madrugada foi justamente o de um judeu íntegro que havia preservado a vida do rei em épocas passadas.
Após essa cena, a rainha faz seu apelo, com o qual o rei prontamente concente, dando a justa paga ao cruel Hamã, vilão da história; e, ao judeu íntegro, honras e cargo real.

Você acredita que Deus tirou o sono do rei naquela noite, levou-o para a leitura de algo memorável sobre alguém do povo ao qual ele já havia decretado o extermínio, e ainda recebeu a rainha, judia de nascença, e atendeu seu pedido, tudo isso porque havia um povo orando e jejuando? Eu creio que sim.

É isso que acontece quando oramos em conformidade com a vontade e com os propósitos de Deus. Paulo nos lembra que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm. 8:28). A ênfase do texto não está no fato de que, ao amar a Deus, terei tudo cooperando em meu favor, não. Mas, outrossim, que “segundo o seu propósito”, vivo minha vida e as situações calamitosas que ela me traz com a convicção de que, no final, tudo coopera para o bem.

Essa é uma reflexão sobre oração. Mas não a oração como discurso de manipulação de uma entidade melindrosa que precisa ser adulada para, então, nos atender. Mas oração como oportunidade relacional que nos permite conhecer mais a fundo a vontade de um Pai cheio de amor e que tem pensamentos de paz e não de guerra, para nos dar o fim que desejamos. Então, e somente então, passaremos a orar e Ele nos ouvirá. (Jr. 29:11-12).